Jornada de astronomia e robótica movimenta campus e aldeia indígena
Segunda Jornada Internacional de Cultura, Astronomia e Robótica (Jicar) atraiu três mil pessoas entre estudantes, pesquisadores e visitantes de todas as idades, no Oiapoque
Publicada por Suely Conceicao em 15/10/2026 ― Atualizada em 15 de Outubro de 2026 às 18:03
Durante quatro dias, o Campus Oiapoque do Instituto Federal do Amapá (Ifap) e a Aldeia Indígena Manga foram palco de múltiplas atividades de ciência, tecnologia, cultura e saberes tradicionais, em torno das temáticas da astronomia e da robótica. A segunda Jornada Internacional de Cultura, Astronomia e Robótica (Jicar), organizada pelo Ifap, atraiu três mil pessoas entre estudantes, pesquisadores e visitantes de todas as idades.
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Diversos momentos aliaram ciência e diversão, entre os quais a Missão Espacial JAXY, uma simulação de missão espacial. Os participantes tiveram a oportunidade de conhecer de perto o universo da exploração espacial, participar da construção de foguetes, aprender sobre astronomia e radiocomunicação e vivenciar uma simulação de missão espacial. Oito estudantes da rede pública do ensino fundamental e médio compuseram a tripulação da Missão Análoga Jaxy.
A Missão Espacial Análoga Jaxy incluiu a palestra “Quero ser astronauta, e aí?”, ministrada pelo comandante Kennedy, da Wogel Space Lab, e a participação análogos dos astronautas Valdemiro Brito e Elanos Amado, da planetarista Eduarda Vitória, do Planetário da Univesidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM), e de Wallace Silva, protagonista em projetos de astronomia e foguetes.
A programação da Jicar se iniciou na quarta-feira (7/10), no campus do Ifap, onde estudantes de escolas públicas do município, da Guiana Francesa e da Aldeia Indígena Manga puderam participar da roda de conversa “Quero ser um astronauta, e agora?”, planetário, sala de jogos, sala de astronomia, sala de robótica, sala de arte e cultura indígena, campeonato de foguete de papel e campeonato de seguidor de linha, visita ao Museu Indígena, campeonato de xadrez e Maratona Scratch de programação.
A noite foi reservada para a solenidade de abertura, no auditório do Campus Oiapoque, seguida da palestra “Etnociência, Etnotecnología e Sostentabilidad en la formação intercultural”, com a participação de pesquisadores que desenvolvem estudos sobre educação, interculturalidade, etnociências e tecnologias culturalmente situadas: Iván Sánchez, da Universidad del Magdalena (Colômbia); Bruno Garcês, do Programa de Pós-Graduação em Educação Tecnológica do Instituto Federal do Triângulo Mineiro, e Hutson Roger Silva, professor do Ifap, idealizador e presidente da comissão organizadora da Jicar.
Na quinta-feira (8/10), além da programação nas salas, foram realizadas a Mostra Etnocientífica, a Mostra Nacional de Robótica e a Liga Nacional de Robótica, seguidas de premiação. Também houve comunicação científica com apresentação de 83 trabalhos e os “diálogos” entre professores e estudantes sobre participação estudantil em olimpíadas do conhecimento para formação científica”, e entre pais e professores sobre “filhos neurodivergentes e suas potencialidades no mundo da ciência”.
A palestra com o tema “Ciência, robótica e astronomia por elas, para elas” reuniu as pesquisadoras e protagonistas da educação científica Josina Oliveira, do Observatório Nacional, Cristiane Pelisolli, coordenadora geral da Mostra Nacional de Robótica, Aline Furtado, coordenadora do projeto Elas na Robótica, e Samira Gomes e Branca, da Universidade Federal do Amapá (Unifap). Teresinha Aparecida, representante do projeto Mulheres de Estrelas, também foi uma das participantes convidadas da Jicar.
Na sexta-feira (9/10), a programação se mudou para a Aldeia Manga, com as atividades do Missão Análoga Espacial Jaxy, a palestra “Etnorobótica: integrando formação científica, tecnológica, tradicional e intercultural”, oficinas de robótica com arduíno e sucata, pinturas e desenhos indígenas, artesanato e pulseiras indígenas e foguete de papel, formação de professores sobre “Construção de telescópios para ensino de ciências”, campeonato de arco e flecha, campeonato de satélite e campeonato de drones.
A tarde foi reservada para a continuação da Mostra Etnocientífica e da Mostra Nacional de Robótica, além da Olimpíada Brasileira de Robótica (OBR), nas modalidades prática resgate e artística, roda de conversa “Cosmologias indígenas: a aprendizagem por meio da astronomia cultural”, desfile “Beleza indígena”, observação astronômica e roda de conversa “Aspectos interculturais do céu noturno”.
A roda de conversa “Cosmologias indígenas: a aprendizagem por meio da Astronomia Cultural” reuniu os membros da Guyane Astronomie, Frédéric Farrugia e Hidair Olivier, e o professor do Ifap Cassio Renato Santos, e membro do POP Astronomia, promovendo o diálogo entre a astronomia, a cultura e os saberes tradicionais.
O último dia da segunda Jicar ocorreu entre Oiapoque e a Guiana Francesa. Os participantes realizaram um passeio intercultural, com visitas ao Collège Constant Chlore, na Guiana Francesa, à Ponte Binacional, loja Cacau Cassiporé e município de Clevelândia do Norte. A programação de encerramento contou com anúncio do Prêmio Jicar, menções honrosas e das bolsas.
“Começamos com o verbo sonhar e encerramos esta edição com um novo verbo, conectar. Conectamos Oiapoque e o Amapá a pessoas de 12 estados brasileiros e de outros países, conectamos a Aldeia Manga a diferentes territórios e corações, e aproximamos ciência, cultura, astronomia e robótica dos saberes tradicionais. Mas, acima de tudo, conectamos pessoas que hoje compartilham histórias, sonhos e amizades. A Jicar mostrou que a ciência também pode emocionar, transformar e criar pertencimento”, afirmou o organizador Hutson Silva. “A Jicar nunca foi apenas um evento. É um sonho que nasceu pequeno, mas que cresce porque muitas pessoas acreditam que levar educação, ciência, cultura, astronomia e tecnologia para as pessoas é transformar vidas e abrir possibilidades”, completou, adiantando que a próxima Jicar está prevista para junho de 2027.
Cultura, identidade e integração na fronteira
A programação cultural da Jicar reuniu marabaixo, carimbó, toada, danças e outras expressões culturais, com participação do grupo Girassóis do Ifap, além de estudantes e de grupos de escolas públicas, como da Escola Estadual Joaquim Caetano, a fanfarra da Escola Estadual Joaquim Nabuco, apresentações de carimbó da Escola Estadual Duque de Caxias, danças indígenas, o concurso de beleza indígena e apresentações de dança latina.
Estudantes se credenciam para torneio na Grécia
Equipe do Campus Oiapoque conquistou títulos nas competições de robótica, nas modalidades de seguidor de linha, sumô e cabo de guerra da Liga Nacional de Robótica. A premiação credencia a equipe a participar da etapa mundial da Minoan RobotSports Competition Global Olympiad, prevista para abril, na Grécia.
A equipe, coordenada pelo professor orientador Hutson Roger Silva, é composta pelos estudantes Sandi Morais dos Santos, do curso superior de Tecnologia em Gestão Comercial; Nelson Oliveira Silva Neto, do 2º ano do curso Técnico em Administração Integrado ao Ensino Médio; Emanuel Oliveira da Silva Neto; Débora Alvides de Lima; e Alex Ravvy do Amaral Barbosa, do 1º ano do curso Técnico em Turismo Integrado ao Ensino Médio.
Financiamento e articulação institucional
A realização da Jicar 2026 contou com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e do programa Pop Ciência, por meio do Edital nº 15/2025 — PAEP-EB e da Chamada para Feiras Científicas.
Instituições de ensino, pesquisa, divulgação científica e organizações ligadas à robótica e à astronomia se integraram à programação, entre as quais RoboCup Brasil, responsável pela organização de iniciativas como a Olimpíada Brasileira de Robótica (OBR) e a Mostra Nacional de Robótica (MNR); a Liga Nacional de Robótica; o Observatório Nacional; o Wogel Space Lab; a Escola de Astronauta Análogo; a Guyane Astronomie; o Instituto Federal do Triângulo Mineiro; o Instituto Federal do Espírito Santo; a Universidade Federal do Triângulo Mineiro; a Universidade Federal do Amapá; a Universidade do Estado do Amapá; a Universidad del Magdalena, da Colômbia; a CESAR School; a Ped Educação; o Projeto Robô Cerrado; e o Caminho Extraordinário.
Também contribuíram órgãos públicos, escolas, organizações e parceiros locais, incluindo a Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Inovação do Amapá, a Prefeitura de Oiapoque, o Exército Brasileiro, a Receita Federal, escolas públicas do município e a Escola Indígena Jorge Iaparrá, da Aldeia Manga.
A Jicar contou com participantes de 12 unidades da Federação brasileira: Santa Catarina, Rio Grande do Sul, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo, Pará, Maranhão, Pernambuco, Bahia, Amapá e Distrito Federal. A programação também reuniu representantes do Brasil, da Colômbia e da Guiana Francesa, fortalecendo o intercâmbio científico e cultural na região da fronteira franco-brasileira.
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